A Inteligência Artificial (IA) como catalisadora da inovação tecnológica na Gestão Universitária

Carlos Hoffmann e Cláucia Faganello · 2025

O artigo, da integrante do <labiia_lab> Cláucia Piccoli Faganello (UFRJ) e Carlos Alberto Kalinovski Hoffmann (UFSC), explora o papel estratégico da gestão universitária na promoção da Inteligência Artificial (IA) como propulsora da inovação tecnológica no Ensino Superior. A pergunta central é como a gestão universitária pode efetivamente alavancar a IA para impulsionar a inovação, considerando oportunidades e desafios. É um trabalho teórico — uma revisão bibliográfica narrativa, qualitativa e exploratória, baseada em buscas nas bases SciELO, Scopus, Web of Science, Google Scholar e Portal de Periódicos da CAPES, sem delimitação temporal, apenas temática. Os próprios autores ressaltam que não há pretensão de apresentar resultados empíricos conclusivos.

Principais pontos

Aplicações e potencialidades da IA: otimização de processos administrativos (alocação de recursos, planejamento de matrículas, previsão de evasão, automação de tarefas rotineiras), personalização da aprendizagem (tutoria inteligente, feedback adaptativo), apoio à pesquisa (análise de grandes volumes de dados, revisão de literatura, resumos automáticos) e potencial de promover equidade e inclusão. A liberação de tempo dos docentes/gestores é apresentada como oportunidade estratégica para realocá-los a atividades de maior valor agregado, não só como redução de custos.

  • Desafios éticos e institucionais: viés algorítmico, privacidade e segurança de dados, transparência e explicabilidade dos algoritmos, impacto na autonomia docente, integridade acadêmica/plágio, dependência excessiva da IA, infraestrutura e financiamento inadequados, necessidade de treinamento docente e gerencial, e inclusão digital. O artigo alerta que falhas nesses pontos representam risco reputacional e social, além de poderem ampliar lacunas educacionais.
  • Papel da gestão universitária: liderar a adaptação curricular, equilibrando competências técnicas em IA com habilidades humanas essenciais (pensamento crítico, criatividade, resiliência, empatia, inteligência emocional); estabelecer governança e diretrizes éticas robustas; fomentar um ecossistema de inovação e empreendedorismo (incubadoras, apoio a startups, propriedade intelectual); e fortalecer a cooperação no modelo da hélice tríplice (universidade-indústria-governo), expandindo-o para a hélice quíntupla ao incluir sociedade civil e meio ambiente.
  • O texto traz três tabelas que sintetizam, respectivamente, as aplicações da IA, os desafios éticos/institucionais e as habilidades essenciais para a era da IA.


Conclusão

A integração da IA no Ensino Superior é tratada como um imperativo estratégico, não apenas uma tendência tecnológica. Para consolidar o papel das universidades como catalisadoras da inovação, a gestão universitária deve adotar uma postura proativa e multifacetada: adaptação curricular, fomento ao ecossistema de inovação e fortalecimento da hélice tríplice/quíntupla. Os autores concluem que uma abordagem ética, estratégica e inclusiva da IA é fundamental para que as universidades atuem como agentes de transformação socioeconômica e promotoras da cultura da paz, garantindo que o avanço tecnológico sirva ao bem comum. Destacam ainda que saber formular as “melhores prompts” — direcionar a IA aos desafios mais prementes da humanidade — será uma competência central a desenvolver.

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