Gerência do conteúdo de material instrucional em educação: uma sugestão utilizando Redes Sistêmicas na Internet

Ilan Chamovitz · 2005

O artigo, do participante do <labiia_lab> Ilan Chamovitz (Datasus/Ministério da Saúde), propõe o uso de Redes Sistêmicas na Internet como forma de gerenciar o conteúdo didático-pedagógico de material instrucional educacional — especialmente vídeos. A ideia central é representar a essência da informação qualitativa de recursos como vídeos, livros ou programas de computador, deixando esse conteúdo disponível e atualizável para professores e educadores.

Principais pontos

O problema: as fichas pedagógicas de vídeos educacionais (como as da TV Escola) ficam disponíveis na Internet de forma estática. Num estudo de caso de 2004 com dez vídeos do projeto “Como Fazer”, as fichas permaneceram intocadas 10 meses depois, sem qualquer colaboração ou atualização — e, se alguém quisesse mudá-las, seria apenas substituindo um PDF por outro.

A diferença entre fichas: uma ficha técnica traz dados fixos (autor, título, duração, sinopse), enquanto a ficha pedagógica resulta da leitura de um especialista, indicando conceitos a explorar e competências a desenvolver — informação que poderia ser enriquecida por vários colaboradores.

A proposta: usar o programa GRS – Gerador de Redes Sistêmicas, criado em dissertação de mestrado na UFRJ (2004), que funciona pela Internet de forma cooperativa. As redes sistêmicas, originadas de notações da Linguística (Bliss, Monk & Ogborn, 1983), organizam dados qualitativos em categorias e relações, usando colchetes (termos excludentes) e chaves (co-existência necessária).

O método: o artigo descreve passos para construir as redes — pesquisa exploratória, obtenção de amostra, criação de uma “rede semente” por tentativa e erro, e depois sua validação instanciando outros elementos da amostra (“redes instanciadas”). Não existe “a rede correta”, mas aquela que alcança consenso entre seus criadores.

A validação: no estudo de caso da TV Escola, educadores exploraram a rede de um vídeo que não conheciam e fizeram suposições sobre seu conteúdo que se mostraram coerentes com a proposta real do vídeo e com a ficha pedagógica oficial.

Conclusão

A técnica de Redes Sistêmicas vem crescendo na área de representação do conhecimento e pode auxiliar professores na análise pedagógica dos vídeos da TV Escola. Por ser dinâmica e colaborativa, permite que o conteúdo seja construído, comparado e aperfeiçoado continuamente pela Internet, independentemente de tempo e local. O autor aponta como usos futuros do GRS o planejamento e controle de informações qualitativas por gestores de acervos instrucionais, com melhorias previstas em suas funcionalidades.

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