ChatGPT e plágio: desafios e aspectos éticos
O artigo, que tem a participação da integrante do <labiia_lab> Mirella Silva Barbosa, apresenta um estudo sobre o plágio no contexto dos textos gerados pelo ChatGPT, discutindo os desafios e aspectos éticos envolvidos. Os autores partem da preocupação de que o uso desenfreado do ChatGPT na educação levanta debates sobre autoria, integridade acadêmica e a necessidade de desenvolver nos estudantes o chamado Letramento em Inteligência Artificial — competências cognitivas, críticas e práticas para usar a IA de forma consciente, ética e reflexiva.
Metodologia
Trata-se de um levantamento bibliográfico realizado em quatro bases de dados (Portal de Periódicos Capes, MDPI, IEEEXplore e ScienceDirect), usando os termos de busca ChatGPT, Plagiarism, Author e Authorship, com recorte de janeiro de 2023 a agosto de 2025. Foram selecionados onze artigos (dez internacionais e um nacional). O estudo buscou responder a cinco questões de pesquisa, relacionadas às línguas predominantes nos estudos, às formas de detectar plágio, ao nível de ensino mais investigado, às questões éticas na escrita acadêmica e às lacunas existentes na área.
Principais pontos (respostas às questões de pesquisa)
- Línguas: predomina o inglês — dos onze trabalhos, seis usaram exclusivamente textos em inglês, atribuído ao caráter universal da língua na produção científica. Apenas um artigo era em português (Almeida, 2023).
- Detecção de plágio: nove dos onze artigos discutem softwares de detecção (como OpenAI, Writer, Copyleaks, GPTZero, CrossPlag, Turnitin, entre outros). O estudo de Elkhatat et al. (2023) mostrou que essas ferramentas são mais eficazes para identificar textos gerados pelo GPT-3.5 do que pelo GPT-4, revelando que a precisão dos detectores fica limitada conforme a IA evolui. Também é possível detectar pela análise de padrões linguísticos: textos de IA tendem a não apresentar erros gramaticais e a usar vocabulário mais rebuscado, distanciando-se da escrita humana.
- Nível de ensino: há forte concentração no Ensino Superior — dez dos onze trabalhos abordam o plágio na Educação Superior, e nenhum teve como foco a Educação Básica, revelando uma lacuna. A pesquisa de Almeida (2023), com 100 estudantes de EaD, indicou que 72 usavam o ChatGPT e que 74 utilizavam o texto gerado integralmente nas atividades acadêmicas.
- Questões éticas: os estudos apontam a necessidade de diretrizes e regulamentações claras nas universidades e nos periódicos, inclusive sobre se o ChatGPT pode ou não ser declarado como coautor. Bin-Nashwan et al. (2023) destacam que quanto maior a integridade acadêmica, menores as chances de o estudante usar o ChatGPT de forma indevida.
- Lacunas identificadas: falta de ferramentas eficazes de detecção em diversas línguas; necessidade de técnicas que considerem o plágio “ofuscado” por IA; aprofundamento sobre coautoria criativa; carência de pesquisas com textos em português; e ausência de regulamentações sobre o uso do ChatGPT no ensino.
Conclusão
Os autores concluem que o plágio decorrente do uso de Inteligência Artificial Generativa é uma temática relevante e ainda pouco explorada, que suscita preocupações ligadas à integridade acadêmica e à responsabilidade ética. Existem ferramentas de detecção (iThenticate, Originality, Similarity, Smodin, GPTZero, entre outras), mas elas apresentam limitações — as versões gratuitas são menos eficazes que as pagas, e o desempenho é melhor para o GPT-3.5 do que para o GPT-4. O estudo ressalta a carência de pesquisas com corpus em língua portuguesa e voltadas à Educação Básica, além da necessidade urgente de construir diretrizes e regulamentações para o uso adequado e ético do ChatGPT nos contextos de ensino-aprendizagem. Como trabalho futuro, sugere-se investigar outras opções de grandes modelos de linguagem (LLMs).
